Palavra do Presidente | Há momentos em que o Sindicato precisa falar e momentos em que precisa saber ouvir

Palavra do Presidente | Há momentos em que o Sindicato precisa falar e momentos em que precisa saber ouvir

wanderlei wormsbecker 1 1 1
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Representar uma categoria exige posicionamento. Em muitos momentos, o Sindicato precisa se manifestar com firmeza, defender direitos, cobrar respostas e buscar soluções diante de situações que afetam a vida funcional dos servidores.

Mas representar também exige outra disposição, igualmente importante: saber ouvir.

Dentro de uma mesma categoria existem histórias, momentos de carreira e preocupações diferentes. Há quem esteja começando sua trajetória no Tribunal, quem já acumule décadas de experiência, quem esteja próximo da aposentadoria e quem já encerrou a vida funcional, mas continua diretamente afetado por decisões previdenciárias e administrativas.

Também existem realidades distintas entre carreiras, setores e áreas de atuação. Nem sempre aquilo que preocupa um grupo será a prioridade imediata de outro. Isso não torna uma demanda menos importante. Pelo contrário, mostra o tamanho da responsabilidade de uma entidade que pretende representar todos.

Por isso, acredito que o trabalho sindical começa antes da manifestação pública ou da reunião institucional. Começa quando alguém procura o Sindicato para contar o que está acontecendo, apresentar uma dificuldade, fazer uma sugestão ou simplesmente dizer que algo precisa ser olhado com mais atenção.

Ouvir não significa apenas receber uma mensagem. Significa compreender o problema, buscar informações, avaliar seus efeitos e, quando necessário, transformar aquela preocupação individual em uma questão coletiva.

É dessa escuta que também nasce boa parte do trabalho realizado pelo SINDICONTAS/PR. Quando uma preocupação da categoria exige esclarecimentos da Administração, buscamos a interlocução com o Tribunal. Quando envolve interpretação jurídica, procuramos compreender seus efeitos e os possíveis caminhos para a defesa dos servidores. Quando ultrapassa os limites do TCE-PR, levamos a discussão para outras entidades representativas e acompanhamos o que está sendo debatido em âmbito estadual e nacional.

Recentemente, por exemplo, o Sindicato esteve reunido com a Presidência do TCE-PR para tratar de decisões do STF e do TCU relacionadas à remuneração, ao teto constitucional, às gratificações e às verbas funcionais. Embora essas decisões não tenham aplicação automática aos servidores do Tribunal, entendemos que é responsabilidade do Sindicato acompanhar seus possíveis reflexos e buscar segurança jurídica para a categoria.

Também temos ampliado a interlocução com outras carreiras. Na reunião realizada com representantes da ACONJUR-PR, foram discutidos temas como carreira, previdência, remuneração, direitos funcionais, condições de trabalho, valorização profissional e acompanhamento de debates legislativos e administrativos. São assuntos que muitas vezes não dizem respeito apenas a uma instituição e que ganham força quando diferentes entidades conseguem trocar experiências e construir caminhos comuns.

Da mesma forma, nossa participação em organizações como a Pública Central do Servidor, CONACATE, FENASTC e FASS permite acompanhar discussões que podem repercutir diretamente na vida dos servidores, entre elas previdência, carreira, remuneração, reforma administrativa, direitos funcionais e defesa do serviço público.

Esse trabalho nem sempre aparece imediatamente para a categoria. Muitas vezes ele acontece antes de uma decisão ser tomada, enquanto uma proposta ainda está sendo discutida ou quando os possíveis efeitos de uma mudança ainda precisam ser compreendidos. A atuação sindical também está nesse acompanhamento permanente, porque defender direitos significa, muitas vezes, agir antes que o problema esteja instalado.

É assim que muitas demandas chegam à diretoria. Algumas exigem providências imediatas. Outras precisam de análise jurídica, interlocução com a Administração ou articulação com outras entidades. Há ainda situações em que o primeiro passo é reunir mais informações para entender a dimensão real do problema.

Nem sempre teremos uma resposta pronta. O que não pode faltar é disposição para procurar essa resposta e transparência para dizer à categoria o que está sendo feito.

Também sabemos que um Sindicato não pode aparecer apenas quando existe um problema grave. A proximidade precisa fazer parte da rotina. Queremos que os servidores se sintam à vontade para procurar o SINDICONTAS/PR antes que uma dificuldade se torne maior, para compartilhar preocupações, apresentar ideias, apontar situações que merecem atenção e participar das discussões que dizem respeito à própria carreira.

É importante que a categoria saiba que o Sindicato está disponível não somente para comunicar decisões já tomadas, mas para ouvir antes delas. Quanto mais conhecemos as diferentes realidades dentro do Tribunal, melhores são as condições para definir prioridades e representar os servidores de maneira responsável.

Quando for necessário falar, falaremos. Quando for necessário cobrar, cobraremos. Quando houver direitos em jogo, estaremos presentes para defendê-los. E quando uma questão exigir diálogo, estudo, articulação ou persistência, também estaremos lá.

Antes de tudo isso, continuaremos ouvindo.

Porque um Sindicato forte não é aquele que simplesmente fala mais alto em nome da categoria. É aquele que conhece as pessoas que representa, compreende suas diferentes realidades e transforma essa escuta em trabalho concreto.

Esse é o SINDICONTAS/PR que queremos construir todos os dias: presente, acessível, atento e preparado para defender os servidores quando eles precisarem.

Wanderlei Wormsbecker
Presidente do SINDICONTAS/PR

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