Defender as prerrogativas da Auditoria de Controle Externo é defender o próprio controle externo

Defender as prerrogativas da Auditoria de Controle Externo é defender o próprio controle externo

banner site sindicontas
Ouça essa matéria:

A atuação dos servidores dos Tribunais de Contas exige conhecimento técnico, responsabilidade e independência. Quem trabalha com controle externo sabe que analisar contas, fiscalizar políticas públicas, avaliar contratos, apontar irregularidades e produzir informações qualificadas para a tomada de decisão não são tarefas meramente burocráticas.

São funções que exigem segurança institucional.

Por isso, quando o SINDICONTAS/PR fala em defesa das prerrogativas da Auditoria de Controle Externo, não está tratando de uma pauta isolada ou corporativa. Está falando da proteção necessária para que os servidores possam exercer suas atribuições com autonomia, responsabilidade técnica e compromisso com o interesse público.

A independência da auditoria não é um privilégio. É uma condição para que o controle externo funcione.

Em um Tribunal de Contas, o trabalho técnico precisa estar protegido de pressões indevidas, interferências políticas e fragilizações institucionais. O servidor que fiscaliza, analisa e orienta precisa ter condições de atuar com base na lei, nos dados, nos critérios técnicos e na finalidade pública de sua função.

Essa é uma das razões pelas quais o Sindicato tem mantido, ao longo dos anos, atuação permanente em defesa da carreira, das atribuições e da valorização dos servidores do TCE-PR.

Uma das lutas mais simbólicas nessa trajetória foi a defesa da alteração da nomenclatura de Analista de Controle para Auditor de Controle Externo. A pauta, acompanhada e defendida pelo SINDICONTAS/PR ao longo dos anos, não se limitava a uma mudança formal de nome. Ela expressava a necessidade de reconhecer, com mais precisão, a natureza técnica, a complexidade e a responsabilidade do trabalho realizado pelos servidores no âmbito do controle externo.

A conquista da nomenclatura fortaleceu a identidade da carreira e ajudou a alinhar o cargo às atribuições efetivamente desempenhadas. Foi um avanço importante, mas não encerrou o debate. Reconhecer o nome da carreira é parte do processo. Garantir condições para que essa carreira seja respeitada, protegida e valorizada continua sendo uma tarefa permanente.

Essa defesa passa também pelos debates sobre planos de cargos, carreiras e salários. Uma estrutura de carreira bem organizada não é importante apenas para a vida funcional dos servidores. Ela também impacta a qualidade do serviço prestado pela instituição. Carreiras valorizadas atraem, mantêm e desenvolvem profissionais qualificados. Sem isso, o controle externo perde capacidade técnica, memória institucional e força de atuação.

O mesmo vale para concursos, formação continuada, condições de trabalho, recomposição salarial, direitos funcionais e proteção das atribuições. Todas essas pautas, muitas vezes tratadas separadamente, fazem parte de uma mesma discussão: que tipo de controle externo queremos para o futuro?

Se a sociedade espera Tribunais de Contas cada vez mais preparados para avaliar políticas públicas, acompanhar contratos complexos, fiscalizar a aplicação dos recursos e contribuir para uma gestão pública mais eficiente, é preciso reconhecer que esse trabalho depende diretamente dos servidores.

Não existe controle externo forte apenas no discurso. Ele se constrói com estrutura, tecnologia, planejamento e, principalmente, com pessoas qualificadas e respeitadas em suas funções.

Nos últimos anos, o SINDICONTAS/PR também tem ampliado sua presença em espaços nacionais de articulação, especialmente em Brasília, junto à Pública Central do Servidor, à CONACATE e à FENASTC. Essa atuação é fundamental porque muitas decisões que impactam os servidores não nascem dentro do Tribunal. Elas passam pelo Congresso Nacional, por propostas de emenda à Constituição, projetos de lei, reformas administrativas e debates sobre previdência, negociação coletiva e organização do serviço público.

É nesse cenário que a defesa das prerrogativas da Auditoria de Controle Externo ganha ainda mais importância.

Propostas que fragilizam carreiras, reduzem garantias institucionais, relativizam a estabilidade ou enfraquecem a estrutura do Estado não atingem apenas os servidores. Elas podem comprometer a continuidade técnica das instituições e a qualidade do serviço prestado à sociedade.

No caso dos Tribunais de Contas, o risco é ainda mais sensível. A atuação do controle externo exige independência, conhecimento acumulado e segurança para apontar problemas quando eles existem. Um servidor inseguro, desvalorizado ou institucionalmente fragilizado tem menos condições de exercer plenamente sua função.

Por isso, o SINDICONTAS/PR tem defendido que qualquer debate sobre modernização da administração pública precisa preservar as carreiras típicas, a independência técnica e as prerrogativas dos servidores que atuam em áreas estratégicas do Estado.

Modernizar não pode significar precarizar.
Reformar não pode significar enfraquecer.
Buscar eficiência não pode significar retirar garantias de quem tem a responsabilidade de fiscalizar.

A recente valorização institucional dos Tribunais de Contas, inclusive com o reconhecimento de sua essencialidade no sistema de controle externo, reforça ainda mais esse debate. Se os Tribunais são essenciais, também é essencial proteger o trabalho técnico que dá vida a essas instituições.

Essa é uma compreensão que precisa estar no centro das discussões.

A Auditoria de Controle Externo tem papel decisivo na fiscalização dos recursos públicos, na análise das contas, na avaliação de políticas públicas, na orientação da gestão e na defesa da transparência. Suas prerrogativas existem para proteger essa atuação, não para afastá-la do controle ou da responsabilidade.

Ao contrário: quanto mais independente e qualificada for a atuação técnica, maior será a capacidade do Tribunal de entregar respostas à sociedade.

O Sindicato também entende que a defesa dessas prerrogativas precisa caminhar junto com a participação dos servidores. Nenhuma entidade representativa se fortalece sozinha. A força do SINDICONTAS/PR depende da presença da categoria, da filiação, do acompanhamento das pautas, da crítica responsável e da construção coletiva.

É legítimo ter opiniões diferentes sobre os caminhos da representação sindical. Mas uma coisa é certa: sem organização, a categoria perde força para defender seus direitos, suas carreiras e sua própria identidade institucional.

O SINDICONTAS/PR seguirá atuando nos debates sobre carreira, remuneração, previdência, condições de trabalho, planos de cargos e salários, independência técnica e valorização da Auditoria de Controle Externo. Essa atuação não é apenas em defesa dos servidores individualmente considerados. É também em defesa de um Tribunal de Contas forte, técnico e capaz de cumprir sua missão constitucional.

Defender as prerrogativas dos servidores é defender a qualidade do controle externo.

E defender o controle externo é defender a sociedade.

Compartilhar

Nóticias recentes

plugins premium WordPress