Matéria original/imagem: Pública Central do Servidor
Com o objetivo de humanizar as estatísticas e convocar o servidor público para a linha de frente do combate à violência contra a mulher, a Pública Central do Servidor apresenta a Revista Digital “Elas Tinham Nome”. Elaborado pela assessora política e institucional da Pública, Loisse Daielle, o material oferece um diagnóstico dos crimes de gênero em 2026 e estabelece guias práticos para a categoria.
O Cenário: Recorde de Feminicídios e Falhas na Proteção
O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o que representa um recorde histórico e um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. O especial destaca que a violência atinge majoritariamente mulheres negras, que representam 62,6% das vítimas.
Os dados revelam padrões de proximidade e falhas estatais:
–Círculo Íntimo: Em 80% dos casos, o crime ocorre dentro da casa da vítima, sendo o companheiro atual (59,4%) ou ex-parceiro (21,3%) o principal agressor.
–Ineficácia de Medidas: Em 2025, 148 mulheres foram assassinadas mesmo possuindo medidas protetivas vigentes.
-Perfil do Agressor: 97,3% dos crimes são cometidos por homens, com idade média de 36 anos e, em sua maioria, com emprego formal.

Impacto Econômico e o Papel do Servidor
O especial argumenta que a proteção às mulheres é uma questão de economia básica. Dados do FMI indicam que cada 1% de aumento na violência de gênero reduz a atividade econômica de um país em 9%. No Nordeste, o absenteísmo causado pela violência doméstica gera um custo estimado de R$ 1 bilhão por ano.
Para interromper o ciclo de violência, o material detalha as obrigações legais dos servidores públicos:
Saúde: Notificação compulsória à autoridade policial em até 24 horas (Lei 13.931/2019).
Educação: Inclusão de temas de prevenção no currículo nacional e comunicação de sinais de violência aos órgãos de assistência social (Portaria MEC nº 2/2026).
Assistência Social: Comunicação ao CRAS e CREAS sobre sinais de violência. Os profissionais integram a rede de proteção, acionam medidas protetivas e realizam o encaminhamento para casas-abrigo.
Segurança e Judiciário: Fiscalização rigorosa de medidas protetivas e celeridade nos julgamentos.
Recursos Humanos: Apoio à remoção de servidoras em situação de risco (PL 808/2025).

Diretrizes para as Entidades Filiadas
A Pública orienta que suas organizações filiadas atuem na pressão por infraestrutura, visto que apenas 5% dos municípios pequenos possuem delegacias especializadas, e no apoio legislativo para a criminalização da misoginia, aprovada recentemente no Senado.
Canais de denúncia
180 (Central de Atendimento à Mulher) / 190 (Polícia Militar) / 181 (Denúncia Anônima)