Palavra do Presidente | Neste domingo, o voto é individual. Depois dele, precisamos continuar unidos

Palavra do Presidente | Neste domingo, o voto é individual. Depois dele, precisamos continuar unidos

wanderlei wormsbecker 1 1 1
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Neste domingo, 25 de outubro, voltaremos às urnas para escolher o próximo presidente da República. É uma decisão importante, que cada um fará de acordo com suas convicções, suas experiências e aquilo que acredita ser melhor para o país.

Dentro do Tribunal também existem opiniões diferentes. Temos colegas de direita, de esquerda, de centro, pessoas mais liberais, outras que defendem uma presença maior do Estado. Isso sempre existiu e continuará existindo. Não vejo problema algum nisso. O que me preocupa é quando as diferenças políticas nos fazem esquecer aquilo que temos em comum como servidores.

Tenho acompanhado a vida sindical há muitos anos e aprendi que, quando uma mudança chega ao serviço público, ela não pergunta em quem votamos.

Uma reforma administrativa pode atingir servidores que fizeram escolhas eleitorais completamente diferentes. Uma mudança previdenciária pode alcançar aposentados de todas as posições políticas. Alterações em concursos, carreiras, remuneração ou condições de trabalho não distinguem quem votou em um candidato ou em outro.

É por isso que considero este momento tão importante para refletirmos também sobre o que estará em jogo depois das urnas.

Nos últimos anos, tivemos de acompanhar de perto propostas capazes de modificar profundamente o serviço público. A PEC 32 é um exemplo que todos conhecemos. Entidades de servidores de todo o país se mobilizaram, estiveram no Congresso, conversaram com parlamentares e procuraram mostrar os impactos que determinadas mudanças poderiam trazer para as carreiras e para a própria estrutura do Estado.

Mais recentemente, uma nova proposta de reforma administrativa, a PEC 38, colocou novamente em discussão temas como carreiras, concursos, estágio probatório, estabilidade, remuneração, cargos em comissão, avaliação de desempenho, terceirização e organização da administração pública.

Essas discussões não desaparecerão porque a eleição terminou.

Também estamos diante de transformações tecnológicas que certamente mudarão a maneira como trabalhamos. A inteligência artificial já está presente na administração pública e pode ser uma ferramenta extraordinária. No próprio controle externo, sabemos o quanto a tecnologia pode ajudar na análise de dados, no cruzamento de informações e na identificação de riscos.

Mas existe uma diferença entre utilizar tecnologia para melhorar o trabalho dos servidores e utilizar a tecnologia como justificativa para simplesmente deixar de formar, contratar e renovar quadros técnicos.

Nos últimos meses, vimos entrar no debate eleitoral ideias sobre redução do número de servidores, revisão de carreiras e até a possibilidade de não realizar concursos para determinadas vagas abertas por aposentadorias, utilizando inteligência artificial para assumir parte dessas funções.

Isso precisa ser acompanhado com atenção.

Não porque devamos ser contrários à inovação ou porque toda mudança represente necessariamente uma ameaça. O serviço público precisa evoluir. Mas qualquer transformação que mexa com concursos, carreiras ou quantidade de servidores precisa considerar o que cada instituição entrega, quais responsabilidades estão envolvidas e que estrutura será necessária para continuar prestando um serviço de qualidade.

Quem trabalha no Tribunal de Contas sabe disso muito bem.

O controle externo depende de tecnologia, mas também depende de experiência, conhecimento acumulado, formação técnica, responsabilidade funcional e pessoas preparadas para analisar situações cada vez mais complexas. Sistemas ajudam o auditor. Não assumem a responsabilidade institucional que pertence ao servidor.

Também não podemos esquecer da Previdência.

Às vezes, quem já se aposentou acredita que as discussões sobre serviço público dizem respeito apenas aos ativos. A experiência mostrou que não é assim. Reformas previdenciárias já alteraram contribuições e regras depois de muitos servidores terem encerrado sua vida funcional.

Da mesma forma, quem está na ativa precisa compreender que decisões tomadas hoje sobre número de servidores, concursos e financiamento do sistema podem ter consequências muitos anos à frente.

Ativos e aposentados fazem parte da mesma categoria.

É exatamente por isso que acredito que precisamos recuperar uma coisa que a polarização política muitas vezes tenta tirar de nós: a capacidade de permanecer unidos mesmo pensando diferente.

Não estou pedindo que ninguém mude seu voto. Também não acredito que o Sindicato deva dizer ao servidor em quem votar. Cada pessoa tem condições de fazer sua escolha e deve fazê-la com liberdade.

O que peço é que todos olhem também para aquilo que poderá acontecer depois de domingo.

Leiam as propostas. Observem o que está sendo dito sobre serviço público, Previdência, reforma administrativa, concursos e carreiras. Procurem saber como cada visão de Estado pode chegar à vida funcional de quem está na ativa e também de quem já se aposentou.

Depois da eleição, teremos um presidente escolhido pela maioria dos brasileiros. Independentemente de quem seja, será necessário dialogar com o novo governo e acompanhar aquilo que chegar ao Congresso.

Quando houver medidas positivas para o serviço público, elas devem ser reconhecidas. Quando houver propostas que possam prejudicar a categoria, precisaremos ter independência e coragem para nos posicionar.

Foi assim no passado e precisa continuar sendo assim.

Governos passam. Partidos se alternam no poder. Parlamentares mudam. A nossa responsabilidade com a categoria permanece.

E é justamente nos momentos em que o cenário político muda que uma representação sindical forte se torna ainda mais necessária. Precisamos acompanhar projetos antes que estejam prontos para votação, conversar com parlamentares, trabalhar junto com outras entidades e levar argumentos técnicos para os espaços em que as decisões são tomadas.

Nenhuma diretoria consegue fazer isso sozinha. A força de um Sindicato vem também da participação e da união daqueles que ele representa.

Neste domingo, cada um estará sozinho diante da urna e fará sua escolha.

Na segunda-feira, voltaremos a ser colegas.

Continuaremos compartilhando o mesmo ambiente de trabalho, as mesmas preocupações com nossas carreiras e a mesma expectativa de ter uma aposentadoria segura. Continuaremos dependendo de um Tribunal forte, de um serviço público estruturado e de instituições capazes de cumprir suas responsabilidades perante a sociedade.

Podemos discordar sobre política e continuar lado a lado quando aquilo que construímos ao longo de tantos anos estiver em discussão.

Talvez essa seja uma das reflexões mais importantes deste momento.

Não precisamos votar igual para defender juntos aquilo que é de todos nós.

Que cada servidor exerça seu direito de voto com consciência e liberdade. E que, depois das urnas, saibamos permanecer unidos, atentos e preparados para defender nossas carreiras, nossa Previdência e o serviço público.

Wanderlei Wormsbecker
Presidente do SINDICONTAS/PR

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