O voto é uma escolha individual, mas suas consequências são coletivas. Para quem dedica sua vida ao serviço público, as propostas que ameaçam carreiras, remuneração, estabilidade, previdência e condições de trabalho não podem ser tratadas como detalhes secundários de uma eleição. Nossos direitos não são privilégios, nossos salários não são favores e nossas funções não são dispensáveis.
Não importa se a ameaça vem da direita, da esquerda ou do centro. Não importa o partido, o discurso ou a simpatia pessoal pelo candidato. Quem propõe retirar direitos, reduzir rendimentos, desvalorizar carreiras ou enfraquecer as funções do serviço público precisa ser cobrado e confrontado com suas próprias propostas. Modernização administrativa não pode servir de pretexto para precarização e perda de direitos.
As reformas administrativas, como as PECs 32 e 38, demonstram que o futuro do funcionalismo está permanentemente em disputa. Cada proposta precisa ser examinada pelo que efetivamente estabelece, e não pela propaganda de seus defensores ou adversários. Não podemos dar um cheque em branco a quem pretende decidir sobre nosso futuro profissional e o sustento de nossas famílias.
Servidores públicos têm diferentes convicções políticas, religiosas e ideológicas. Essa diversidade é legítima. Mas há algo que nos une: o compromisso com um serviço público forte, profissional, independente e valorizado. Não faz sentido defender nossos direitos no sindicato e ignorá-los na hora de avaliar aqueles que pretendem governar e legislar sobre nossas carreiras. Coerência também é uma forma de defender nossas conquistas.
A eleição passa. As consequências ficam. Governos mudam, mandatos terminam, mas os efeitos de uma reforma podem acompanhar servidores e aposentados por décadas. Por isso, nosso compromisso deve ser permanente: conhecer as propostas, exigir posições claras, cobrar compromissos e responsabilizar politicamente quem ameaça nossos direitos. O serviço público merece respeito. E o voto merece consciência.