A evolução financeira e institucional da PARANAPREVIDÊNCIA voltou a chamar atenção pelos números alcançados pelo regime próprio dos servidores estaduais. Dados mais recentes apresentados ao SINDICONTAS/PR apontam patrimônio de R$ 15,7 bilhões, mantendo uma trajetória de crescimento que já vinha sendo registrada nos balanços públicos da instituição.
Para se ter dimensão dessa evolução, em dezembro de 2019 o Fundo de Previdência capitalizado possuía R$ 5,7 bilhões. Na audiência pública de prestação de contas realizada em maio deste ano, a PARANAPREVIDÊNCIA informou que o patrimônio já havia ultrapassado R$ 14 bilhões em abril de 2026. A instituição também destacou avanços na compensação previdenciária, na gestão dos investimentos e em seus processos internos de governança.
Para os servidores, entretanto, patrimônio previdenciário não é apenas um indicador financeiro. São recursos destinados a sustentar aposentadorias e pensões e, portanto, diretamente relacionados à segurança de quem passou décadas contribuindo para o sistema e de quem ainda está na ativa.
Os números mais recentes disponibilizados pela própria PARANAPREVIDÊNCIA ajudam a mostrar o tamanho dessa responsabilidade. Em junho de 2026, a instituição registrava 107.725 aposentados e 28.711 pensionistas, com R$ 1,264 bilhão em benefícios pagos naquele mês.
Da nota D à nota A no indicador previdenciário
A evolução patrimonial ocorreu paralelamente a mudanças importantes nos indicadores utilizados pelo Ministério da Previdência para acompanhar os Regimes Próprios de Previdência Social.
O Paraná recebeu pelo quarto ano consecutivo a classificação A no Índice de Situação Previdenciária (ISP-RPPS). O indicador considera aspectos relacionados à gestão e transparência, situação financeira e situação atuarial. Em 2019, o Estado estava classificado com nota D; passou para C em 2020, B em 2021 e chegou à nota A em 2022, permanecendo na classificação máxima nos anos seguintes.
É importante observar que o Ministério da Previdência reformulou a metodologia do ISP em 2025 e orienta que os resultados produzidos a partir da nova metodologia não sejam comparados diretamente com os índices anteriores. Ainda assim, a permanência do Paraná na classificação A representa um indicador relevante sobre a situação atual do regime.
Outro avanço foi a obtenção do Certificado de Regularidade Previdenciária por via administrativa. Durante 16 anos, o Paraná dependeu de decisões judiciais para manter o certificado, documento necessário, entre outras finalidades, para operações e transferências voluntárias de recursos da União.
A PARANAPREVIDÊNCIA também alcançou o Nível IV do Pró-Gestão RPPS, grau máximo do programa de certificação institucional voltado aos regimes próprios de previdência. A certificação avalia práticas de controles internos, governança corporativa e educação previdenciária e, no caso da instituição paranaense, foi obtida com 100% de conformidade nos requisitos avaliados.
O resultado se soma ao Perfil Atuarial Nível IV, também o patamar mais elevado previsto para essa classificação, ampliando o conjunto de indicadores relacionados à governança, gestão e sustentabilidade previdenciária.
Recuperação financeira também passou por mudanças que atingiram os servidores
Ao apresentar a trajetória de recuperação do fundo, a própria PARANAPREVIDÊNCIA aponta a reforma previdenciária estadual de 2019 e o novo plano de custeio entre os fatores que contribuíram para interromper um processo de descapitalização que, segundo a instituição, chegava a aproximadamente R$ 500 milhões por ano.
Em 2025, quando o patrimônio havia alcançado R$ 12 bilhões, a PARANAPREVIDÊNCIA informou que mais de R$ 6,3 bilhões haviam sido capitalizados em cinco anos, produzindo superávit atuarial superior a R$ 2 bilhões. No mesmo período considerado pela instituição, a rentabilidade acumulada dos investimentos chegou a 59%, frente a cerca de 34% da média dos RPPS utilizada na comparação divulgada pela entidade.
Essa trajetória também precisa ser observada a partir da experiência dos próprios servidores. A reforma aprovada em 2019 alterou regras de aposentadoria e elevou de 11% para 14% a alíquota de contribuição previdenciária, além de modificar idades mínimas e requisitos para concessão dos benefícios. Parte da reorganização financeira do sistema, portanto, também envolveu mudanças significativas para a categoria.
Por isso, bons indicadores de patrimônio, rentabilidade e governança interessam diretamente aos servidores, assim como permanece fundamental o acompanhamento sobre a administração desses recursos. Equilíbrio atuarial, transparência, controle dos investimentos e participação dos segurados nas instâncias de governança são aspectos que precisam caminhar juntos.
Fitch destaca sustentabilidade da previdência paranaense
A situação previdenciária também apareceu de forma expressa na avaliação mais recente da Fitch Ratings sobre as finanças do Estado.
Em 29 de setembro, a agência reafirmou para o Paraná o rating AAA(bra) na escala nacional, a classificação máxima possível, com perspectiva estável. O relatório mantém a avaliação internacional do Estado em “BB”, mas destaca, na análise das obrigações de longo prazo, os efeitos da reforma previdenciária realizada em 2019.
Segundo a Fitch, a reforma fortaleceu a sustentabilidade de médio e longo prazo do sistema previdenciário paranaense. A agência projeta que os encargos previdenciários representem 17,9% da receita corrente líquida em 2026, com crescimento moderado até 2035 e posterior tendência de redução.
O relatório também observa a transição entre os fundos. Na avaliação da agência, as despesas do fundo financeiro ainda devem crescer nos próximos anos antes de se estabilizarem e começarem a cair, enquanto o fundo previdenciário capitalizado assumirá gradualmente uma participação maior no sistema. A Fitch registrava, na data da análise, R$ 14,4 bilhões em ativos sob gestão no fundo capitalizado.
É uma informação relevante porque mostra que a situação previdenciária não aparece apenas nos indicadores específicos do RPPS. Ela também integra a análise mais ampla sobre a capacidade fiscal e financeira do Estado.
Isso não significa que o rating AAA(bra) seja uma certificação da PARANAPREVIDÊNCIA. A Fitch avalia as finanças do Paraná como um todo. Mas o fato de a agência dedicar parte de sua análise à sustentabilidade do sistema previdenciário mostra o peso que essa variável possui para as contas públicas no médio e no longo prazo.
SINDICONTAS/PR está presente nos Conselhos da PARANAPREVIDÊNCIA
O acompanhamento desses resultados também passa pela participação direta de representantes dos servidores nas estruturas de governança da PARANAPREVIDÊNCIA.
Luiz Tadeu Grossi Fernandes, Diretor Administrativo e Financeiro do SINDICONTAS/PR, integra o Conselho de Administração da PARANAPREVIDÊNCIA como conselheiro suplente e também participa do Comitê de Investimentos como representante do Conselho de Administração.
Já Marco Antônio Noronha de Brum, Diretor de Formação Política e Sindical do SINDICONTAS/PR, é conselheiro efetivo do Conselho Fiscal da PARANAPREVIDÊNCIA, órgão que participa do acompanhamento e fiscalização da gestão previdenciária.
A presença dos dois diretores nessas instâncias aproxima o Sindicato das discussões sobre investimentos, situação atuarial, execução dos fundos, governança e decisões que repercutem diretamente sobre aposentados, pensionistas e servidores estaduais.
Esse acompanhamento também foi reconhecido pela própria direção da PARANAPREVIDÊNCIA. Ao tratar da repercussão dos resultados alcançados pela instituição, o presidente da entidade destacou a relevância da avaliação feita por uma representação dos servidores, afirmando que uma manifestação do SINDICONTAS/PR representa “um dos maiores selos de qualidade” para a gestão previdenciária.
A afirmação reforça uma característica importante desse processo: reconhecimento não elimina fiscalização. Para o SINDICONTAS/PR, bons resultados devem ser registrados e valorizados, da mesma forma que a gestão previdenciária precisa permanecer submetida a acompanhamento, transparência e controle permanentes.
O patrimônio acumulado pertence a um sistema construído com contribuições dos servidores e do Estado. Preservá-lo significa olhar não apenas para os resultados de hoje, mas para a capacidade de garantir aposentadorias e pensões ao longo das próximas décadas.
Nesse sentido, alcançar R$ 15,7 bilhões em patrimônio, manter bons indicadores previdenciários, chegar ao Nível IV do Pró-Gestão RPPS e ter a sustentabilidade do sistema considerada nas avaliações fiscais do Estado representam avanços importantes. Para os servidores, a expectativa é que essa trajetória continue acompanhada de segurança, transparência e participação efetiva na governança previdenciária.