O primeiro turno das Eleições 2026 redesenhou o cenário político que estará à frente do Paraná nos próximos anos. Sergio Moro, do PL, foi eleito governador ainda no primeiro turno, com 50,10% dos votos válidos, por uma coligação formada por PL, Novo e Podemos. Para as duas vagas do Paraná no Senado, foram eleitos Filipe Barros, do PL, e Deltan Dallagnol, do Novo.
No plano nacional, a definição ainda não terminou. Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva disputarão o segundo turno para a Presidência da República em 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%.
Os resultados precisam ser recebidos com o respeito que uma escolha democrática exige. Mas, para quem representa servidores, eleição também é o momento de começar a olhar para o que virá depois dela. Governos mudam, legislaturas se renovam e novas prioridades passam a orientar orçamento, administração, previdência, carreiras e funcionamento das instituições públicas.
É aí que começa uma tarefa que não cabe apenas às diretorias sindicais.
Servidores não precisam votar da mesma forma para defender interesses comuns
Dentro de qualquer categoria existem posições políticas diferentes. Entre os servidores do TCE-PR não é diferente. Houve quem votasse nos candidatos eleitos, quem fizesse outras escolhas e quem tenha prioridades políticas bastante distintas.
Uma entidade sindical precisa saber conviver com essa pluralidade.
O ponto de encontro está naquilo que diz respeito à vida profissional da categoria: preservação de direitos, valorização das carreiras, remuneração adequada, previdência, condições de trabalho, reconhecimento das atribuições técnicas e estrutura suficiente para que os servidores consigam exercer bem suas funções.
É justamente em períodos de mudança política que essa compreensão se torna ainda mais importante. A defesa da categoria não pode depender de afinidade com quem ocupa o governo. Também não pode partir da ideia de que determinado resultado eleitoral significa, por si só, ameaça ou benefício aos servidores.
É preciso acompanhar o que efetivamente será proposto e feito.
Os próximos meses começarão a mostrar quais prioridades o novo governo estadual pretende levar adiante e como elas chegarão à administração pública. Projetos de reorganização, medidas fiscais, mudanças previdenciárias, políticas de pessoal ou alterações nas relações entre Estado e iniciativa privada, caso sejam apresentadas, precisarão ser examinadas pelo seu conteúdo e pelas consequências concretas que possam produzir.
Direitos também dependem de acompanhamento
Muitas mudanças que chegam à rotina do servidor começam muito antes da votação de uma lei.
Elas aparecem em propostas de governo, estudos técnicos, projetos orçamentários, alterações administrativas e negociações legislativas. Quando o assunto chega ao estágio final, muitas vezes boa parte do caminho político já foi percorrida.
Por isso, acompanhar importa.
Significa observar o orçamento, os projetos encaminhados ao Legislativo, as discussões sobre previdência e funcionalismo, as propostas relacionadas à organização do Estado e, no caso do TCE-PR, tudo aquilo que possa repercutir na estrutura do controle externo, nas carreiras e nas condições para o desenvolvimento da atividade técnica.
Esse trabalho precisa ser permanente porque o serviço público atravessa diferentes governos. A experiência mostra que assuntos importantes para os servidores podem avançar ou retroceder sob administrações de diferentes orientações políticas. Para o Sindicato, portanto, o critério precisa continuar sendo o interesse da categoria.
O novo cenário político paranaense dá ainda mais importância à participação dos próprios servidores nesse processo. Uma entidade sindical é mais forte quando a categoria acompanha as discussões, procura informação, participa das decisões internas e mantém diálogo com sua representação.
União não significa pensamento único
Talvez esse seja um dos pontos mais importantes depois de uma eleição marcada por posições políticas tão diferentes.
União sindical não significa esperar que todos pensem igual sobre economia, governo ou eleições. Significa reconhecer que existem momentos em que servidores com escolhas políticas distintas compartilham preocupações concretas sobre sua profissão e sobre o futuro do serviço público.
É possível respeitar o resultado das urnas e, ao mesmo tempo, cobrar diálogo. É possível reconhecer a legitimidade de um novo governo e acompanhar criticamente suas decisões. Também é possível apoiar medidas consideradas positivas e se posicionar contra aquelas que prejudiquem direitos, carreiras ou a capacidade das instituições de cumprir suas funções.
Essa independência é fundamental para uma representação sindical.
Para o SINDICONTAS/PR, os próximos anos exigirão atenção, presença institucional e diálogo permanente com os servidores. Será preciso acompanhar o novo governo estadual, a Assembleia Legislativa, o Congresso Nacional e as discussões que possam alcançar direta ou indiretamente quem trabalha no Tribunal de Contas do Paraná.
No cenário nacional, parte dessa configuração ainda dependerá do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro. Independentemente do resultado, porém, a responsabilidade do Sindicato permanece a mesma.
Os governos passam. As instituições e as carreiras continuam.
E é justamente por isso que os servidores precisam continuar próximos, informados e organizados. Não para se colocar contra um governo antes que ele comece, mas para garantir que, quando decisões importantes forem tomadas, a categoria esteja acompanhando, participando e preparada para defender aquilo que construiu ao longo dos anos.